quinta-feira, 10 de março de 2011

127 Horas


127 Horas é daqueles filmes que já sabemos como vai terminar, mas isso não quer dizer que deixa-se de lado a curiosidade em torno da produção e ter uma ideia do apuro que protagonista passou, mesmo tendo um documentário, livro e palestras feitas pelo próprio. E, aqui, o cineasta britânico Danny Boyle retrata com agonia a aventura que marcou a vida da Aron Ralston.

Aron (interpretado por James Franco) é um sujeito que tem paixão por aventura e esportes radicais. Em um fim de semana, ele resolveu sair para fazer uma trilha e não avisou para ninguém onde foi. Mas, ele foi até os canyons localizados em Blue John, Utah. No caminho, ele serve de guia e passa algum tempo com duas moças, mas depois segue o caminho próprio para explorar algumas rochas. Por acidente, uma pedra desloca e esmaga seu braço direito.

Sem comunicação num lugar deserto como aquele, somente com uma câmera, alguns utensílios para escalada e também com um canivete cego chinês, além de fazer racionamento de água e comida. E com as tentativas frustradas de sai dali, ele ao mesmo tempo relembra através do uso de flashback alguns pontos de sua vida, como a infância e passeios com o pai quando era garoto e de sua ex-namorada.

Para não ficar nesse clima agoniante, o filme mescla também entre um lado mais "aliviado" com Aron usando sua câmera para gravar recados, ou digamos, um talk show em que ele era o entrevistado, mostrando o foco que Ralston tinha, mas mostrando a seriedade com relação a falta de contato com sua família e arrependimentos como não comunicar a ninguém onde estaria.

Danny Boyle é muito feliz no uso da montagem, apesar de parecer muito uma ferramenta usada em um filme publicitário na mostra de merchandising numa parte alucinada do protagonista em lembrar de uma Gatorade. Com ela, temos também uma bela e quente fotografia, a atuação de James Franco segurando as pontas sozinho e tornando-se um ator maduro na dramaticidade, sabendo bem quando é a hora de brincar e a de ser sério, além da já famosa cena, mostrada de forma muito realista.

127 Horas pode ficar conhecido por ser um filme de uma cena impactante, mas acaba sendo mais do que isso. È uma película que ensina uma bela lição: se por muitas vezes reclamamos com relação aos rumos que a vida traz e testemunhamos a luta de pessoas como Aron para continuar a viver. Elas abrem nossos olhos e mostram que a vida é cheia de surpresas e que devemos aproveitá-la enquanto podemos.

Cotação: 9,0

127 Horas (127 Hours, 2010)
Direção: Danny Boyle
Roteiro: Danny Boyle e Simon Beaufoy, baseados em livro de Aron Ralston
Elenco: James Franco, Clémence Poésy, Amber Tamblyn, Kate Mara, Treat Williams, Kate Burton, Lizzy Caplan, Darin Southam.

15 comentários:

cleber eldridge disse...

James Franco carrega o filme nas costas, enquanto Boyle quis tirar leite de pedra (literalmente) -, o filme não me agradou tanto, mas, ainda assim é um bom filme.

Mayara Bastos disse...

Cleber, Franco me surpreendeu aqui e o filme conseguiu me conquistar por completo. Mas, como você citou, é um bom filme. ;)

Jonathan Nunes disse...

fiquei maravilhado com o filme, o roteiro é incrível, a maneira com que, apesar de não sair do lugar, ele consegue conquistar e prender a atenção, Um ótimo trabalho também do James Franco.
Bjus.

Kamila disse...

Eu normalmente não gosto muito de filmes claustrofóbicos, mas quero muito dar uma chance à "127 Horas" justamente por causa dos ótimos comentários que ando lendo sobre a obra.

Cristiano Contreiras disse...

Acho que o filme poderia ter sido mais tenso e denso, dramático, mas a abordagem foi outra. Entendo que Boyle não quis ser melodramático, forçar demais.

Acho Franco ótimo, preferia ele que Firth até. E a montagem e fotografia são pontos positivos deste filme. abs

Matheus Pannebecker disse...

Esse é aquele tipo de filme que se nós não soubessemos quem é o diretor, identificariamos facilmente que é de autoria do Danny Boyle. Em "127 Horas" está presente toda aquela agilidade narrativa e aspectos técnicos admitáveis. Acho que foi isso o que mais me chamou a atenção no filme. Mais do que o próprio James Franco, que está excelente, mas que não apresenta nada que já não vimos nesse tipo de filme (Ryan Reynolds também estava igualmente bem no "Enterrado Vivo").

Wallace Andrioli Guedes disse...

É, eu tenho alguns problemas com esse clima pop "feel good" que o Boyle imprime ao filme, tornando tudo mais palatável para a plateia. Pareceu medo de fazer um filme arrastado, e daí ele partiu para um montagem em ritmo de videoclip, à lá SLUMDOG MILLIONAIRE. De qualquer forma, gosto do filme. Pela força da história, pelo desempenho do Franco, por alguns momentos muito bons (o talk show, a solução final, entre outros)... é um bom filme, mas não se merecia ter figurado na lista do Oscar.

Rafael W. disse...

O filme tem alguns maneirismos irritantes, mas a força da história e a atuação de Franco fazem tudo valer a pena.

http://cinelupinha.blogspot.com/

Kleber Godoy disse...

Olá!!

Gostei muito do espaço que criou...

Posso te add em meus links na lateral de meu blog?

Já estou seguindo!

Um abraço,

Kleber
oteatrodavida.blogspot.com

Mayara Bastos disse...

Jonathan, também fiquei maravilhada e, pode parecer clichê, ele ensina lições de vida também. Beijos! ;)

Kamila, também não curto filmes claustrofóbicos, mas é bom ver filmes que trabalham bem essa premissa, como no caso desse. Vale a pena! ;)

Cristiano, até entendo a intenção do Boyle, se for para dar essa agonia mesmo, ele acertou. rsrsrs. Abraços! ;)

Matheus, concordo com seu comentário sobre a agilidade do filme e da autoria do Boyle. E preciso assistir "Enterrado Vivo". ;)

Wallace, concordo com a intenção do Boyle, ele repetiu algumas ferramentas de "Slumdog", como chamar a mesma equipe, causando um pouco da lembrança, mas a história tem uma forte identificação, que acabei esquecendo um pouco desse fator. rsrsrs. ;)

Rafael W., a história e atuação do Franco vale muito a pena! ;)

Kleber Godoy, obrigada pela visita, vou fazer o mesmo em seu blog. Abraços! ;)

Kahlil Affonso disse...

gosto do filme, mas não o acho tão espetacular como alguns dizem

http://filme-do-dia.blogspot.com/

Natalia Xavier disse...

Oi Mayara!

Sua resenha foi bastante positivam em relação aos outros que andei lendo. Já estava mesmo curiosa pra ver o filme e ver a tal cena forte, além de eu gostar muito do trabalho de Boyle.

Não sou tão fã de Franco, mas se ele se mostrou mais competente do que na apresentação do Oscar, já tá bom, rs.

Bjs!

fabiana disse...

Achei bacaninha, e James Franco foi escolha acertada!

Alex Gonçalves disse...

Mayara, eu concordo com você quanto a mensagem edificante de "127 Horas". Os minutos finais mostram que viver vale muito a pena. Mas acho a montagem um grande problema. Como você bem disse, parece um lance publicitário. E no pior dos sentidos. Isto fez com que o filme perdesse na experiência de claustrofobia e desespero que esta experiência vivida por Aron certamente representou.

Otavio Almeida disse...

Isso! Vc capturou a essência do filme. Acho "127 Horas" sensacional!

Bjs!