quarta-feira, 6 de abril de 2011

Não Me Abandone Jamais


"Nunca tinha me ocorrido que nossas vidas, tão intimidamente entrelaçadas, pudessem se separar tão rapidamente. Se eu soubesse, talvez teria mantido apertado as mãos neles e não deixar as marés invisíveis nos separar."

A premissa por trás de Não Me Abandone Jamais não é das mais simples de digerir, mesmo com o título aparentar um romance meloso com final feliz. O drama com toques de ficção científica possui os elementos do amor, mas o maior objetivo dele é abrir discussões sobre a vida humana e o sentimental de cada um.

Em um colégio chamado Hailsham, estudavam os protagonistas da história, Kathy, Ruth e Tommy. È uma escola britânica tradicional, com uma educação rígida e regras, principalmente na questão da alimentação e do corpo, em que o propósito era que todos são alunos especiais, no sentido em que foram “criados” para doar órgãos, segredo descoberto por eles na adolescência através de uma professora ser demitida ao conversar com seus alunos sobre o futuro deles.

Depois que crescem, o trio já interpretados por Carey Mulligan, Keira Knightley e Andrew Garfield, se veem envolvidos em um triângulo amoroso, com Ruth e Tommy já engatinhado um relacionamento e Kathy na ponta por sentir algo especial por seu amigo de infância, além das descobertas e decepções com relação ao futuro.

O tema delicado da história baseado no bom livro de mesmo nome escrito pelo japonês Kazuo Ishiguro poderia entrar nas armadilhas do gênero, como o abuso de efeitos visuais, fazendo com que a história fique de escanteio, mas felizmente, a sutileza é um elemento que disfarça a ilusão de vida que aquelas crianças viveram e o desejo delas em apreciarem a vida, como por exemplo acreditarem em rumores de que “se mostrarem que estão apaixonadas, poderá ter um adiamento.”

A direção de Mark Romanek, em seu segundo longa-metragem, acerta no tom da delicadeza e segurança, sem cair no forçado, juntamente com um belíssimo trabalho fotográfico e uma melancólica trilha sonora composta por Rachel Portman. á no quesito atuações, Carey Mulligan dá a Kathy sensibilidade e sonhos, além de ficar responsável pela narração em off, que pode cansar um pouco, mas sem comprometer seu trabalho. Keira Knightley está bem num papel diferente de seus trabalhos anteriores, mas causando antipatia pela personagem arrogante. Já Andrew Garfield apresenta um menino bobinho, mas causando uma certa torcida por ele, graças ao seu carisma.

Não Me Abandone Jamais é sutil a um tema delicado, sobre relações humanas, solidão e as coisas na vida que esses personagens querem realizar, mas deparam com a impossibilidade de constituírem sonhos, muito por causa de planos elaborados pelo homem e não permite uma opinião de escolha. E não é ética a maior preocupação do filme, mas sim com a parte poética, humana.

Cotação: 8,5

Não Me Abandone Jamais (Never Let Me Go, 2010)
Direção: Mark Romanek
Roteiro: Alex Garland, baseado em livro de Kazuo Ishiguro
Elenco: Carey Mulligan, Keira Knightley, Andrew Garfield, Sally Hawkins, Charlotte Rampling, Izzy Meikle-Small, Charlie Rowe, Ella Purnell, Nathalie Richard.

21 comentários:

Natalia Xavier disse...

Achei sensacional a atuação de Garfield. Em A Rede Social ficava me perguntando o que o pessoal via nele e nesse filme eu fiquei surpresa. A cena em que ele sai do carro e tem um ataque é super comovente.

Gosto do fato da ficção ficar de segundo plano, cheio de subjetividades no filme. Não gosto do personagem da Keira, mas tb acho que ela soube trabalhar mto bem,tanto na parte egocentrica quanto na parte do arrependimento.

Otimo texto Mayara!

Bjs

Luis Galvão disse...

MUITO curioso por esse filme. Só com essa sinopse já levanta mil possibilidades de questionamentos dos jovens, ainda mais com esse trio aí...genial. Vou procurar agora.
[genial essa nova playlist!, heheh]

Cristiano Contreiras disse...

Mais um belo texto, sensível sobre esse filme tão denso e tão triste que me deixou arrasado.

É dolorido, mas faz pensar sobre como a vida é efêmera, como tudo deve ser aproveitado intensamente. E o tempo corre e nem vemos: a vida se perde se não amarmos mais, se não aproveitarmos mesmo cada segundo dela.

O elenco é um máximo, e é triste observar a ‘impotência’ de seus personagens que nada fazem pra mudar a condição, diante da morte que virá…

Ps: a cena do carro com Tommy e Kathy me deixou sem palavras…

E é um absurdo mesmo ele sequer ter sido lembrado no Oscar. Ainda mais que, convenhamos, Carey e Garfield estão excepcionais, e temos uma Keira expressiva, triste também. Ao meu ver, merecia indicações ao trio central; trilha sonora; fotografia e direção…

beijo

Reinaldo Glioche disse...

Boas observações Ma. Um belo filme. Como pontuou o Cristiano, negligenciado na temporada de premiações. Superior, por exemplo, a O discurso do rei.

Bjs

Kamila disse...

Finalmente, um texto que elogia esse filme e que me relembra porque eu queria tanto assistir a esta obra.... :)

Rafael W. disse...

Keira Knightley me afasta dos cinemas, mas esse aqui me parece ser bom.

http://cinelupinha.blogspot.com/

Otavio Almeida disse...

Achei bonito de se ver, mas... como dizia Renato Russo, "Tentei chorar e não conseguiiiiiiii..."

Bjs!

Maria Vilar disse...

Estou curiosa pelo filme, assim como o livro, parece um romance diferente! :))

Rafael Moreira disse...

Rachei com o comentário do Otávio. Bem eu quero muito ver esse filme por conta de Mulligan, Knightley e Garfield. Alguns estão gostando muito, outros, nem tanto e esse negócio de dividir opiniões me interessa muito. Beijos!

Rafael Moreira disse...

Ah, dois avisos, Mayara:
1º tem selo para você lá no blog.
2º mudei de endereço e agora é este: http://impressoesestranho.blogspot.com/

Weiner disse...

Pretendo conferir Não me Abandone Jamais imediatamente, enrolei até não poder mais e aqui estou, sem tê-lo assistido!
Beijos!

Wallace Andrioli Guedes disse...

Vontade gigante de assistir...

ligadona disse...

Eu amei esse filme! Uma belíssima forma de demonstrar o quanto o comportamento e a natureza humana são fortes e devastadores...
=1

Kahlil Affonso disse...

Ainda não vi, mas tenho interesse!

http://filme-do-dia.blogspot.com/

Jonathan Nunes disse...

Acho o filme de uma profundidade imensa, o longa é uma ficção científica que na verdade é meio deixado de lado para contar um drama comovente, o trio está muito bem com destaque o ótimo trabalho do garfield.

Victor Nassar disse...

Ahh, to doido pra ver! Drugs, mas agora só em dvd mesmo. =\

E não tá tocando mais a "Amigo estou aqui", na versão do Toy 3??? Poxa, gostava que só. hehe

Matheus Pannebecker disse...

Acho a história desse filme um completo absurdo! No entanto, gosto bastante dos efeitos dramáticos que ela causa nos personagens. Filme bem melancólico e meio injustiçado até...

Mayara Bastos disse...

Natalia, o Garfield está incrível mesmo, ele entregou belos trabalhos tanto aqui como em “A Rede Social”. E chorei nessa cena dele também. E concordo com relação a ficção, foi um ponto que você pautou no seu ótimo texto sobre o filme. Beijos! ;)

Luis, o filme causa questionamentos e muitas discussões. Espero que goste. E que legal que gostou do playlist. Rsrs. ;)

Cristiano, obrigada! Concordo! Merecia mais atenção, principalmente a trilha sonora, fotografia e Garfield. Beijos! ;)

Reinaldo, obrigada! Bem superior ao Bertie, apesar deste também ser bom. Beijos! ;)

Kamila, poxa, obrigada! E o filme tem elementos que irá gostar muito! ;)

Rafael W, até que a Keira está bem aqui. ;)

Otavio, muito boa, hein? Rsrsrs. Beijos! ;)

Maria, espero que goste! ;)

Rafael, o Otavio foi impagável! rsrsrs. E adoro quando um filme divide opiniões, o debate se fortalece. Já atualizei o blogroll e obrigada pelo selo! Beijos! ;)

Weiner, assista e depois me conta o que achou! Beijos! ;)

Wallace, espero que goste! ;)

ligadona, concordo com seu comentário! ;)

Kahlil, espero que goste do filme! ;)

Jonathan, essa questão da ficção científica foi acertado do próprio livro, mas achei que o filme conseguiu trabalhar melhor. E Garfield está ótimo mesmo! ;)

Victor, a música saiu do playlist não sei como, mas vou procurar e colocar novamente. ;)

Matheus, é um absurdo mesmo, pelo menos no livro. È para Cinema mesmo, ficou melhor. Um filme injustiçado mesmo. ;)

Câmeras Sony disse...

Me deixou super curiosa!

Andreia Mandim disse...

ando ha muito para o ver!bom blogue, nao conhecia.

http://cinemaschallenge.blogspot.com/

Thais Andrade disse...

Gostei do filme.
Bela imagem
Gostei :)