quarta-feira, 7 de março de 2012

Millennium - Os Homens que não Amavam as Mulheres


A versão norte-americana de Os Homens que Não Amavam as Mulheres comprova ainda mais a teoria de que a personagem Lisbeth Salander é fascinante, não só pela sua astúcia, mas também pelo modo como se defende e se isola de uma sociedade em que boa parte é formada por homens que não são muito confiáveis.

O espectador é transportado para 1966, ao clã da família Vanger. Eles são donos de um grande império industrial, juntando os três irmãos, um deles sendo Henrik (Christopher Plummer), o mais velho, que ainda não desistiu de procurar sua sobrinha Harriet, desaparecida há mais de 40 anos. Posteriormente, vemos o jornalista Mikael Blomkvist (Daniel Craig) que recebera uma condenação por difamação em razão de uma reportagem publicada pela revista Millennium, que está passando por crise.

Em razão das dificuldades de Mikael, o patriarca dos Vanger resolve contratar o jornalista para resolver o caso Harriet, ao mesmo tempo em que pode ser uma oportunidade de limpar sua reputação. Para ir mais fundo na investigação, Mikael passa a conta com a ajuda da cyber punk Lisbeth Salander (Rooney Mara).

A relação que nasce posteriormente entre Mikael e Lisbeth é delicada, começando a se tornar romântica. Salander é uma mulher reclusa e que começa aos poucos a se expressar com outra pessoa, vendo que Mikael é um sujeito respeitável, ao contrário de alguns homens que já cruzaram o caminho dela.

O respeito em torno da obra original é muito presente em Os Homens que Não Amavam as Mulheres, começando pelos nomes dos personagens e locais da história mantidos, dando certa autenticidade. O famoso e intrigante crédito inicial do filme traz o “nascimento” de Lisbeth, são referências ao passado e o presente da personagem.

Com a ajuda de uma fotografia acinzentada, uma montagem movimentada e uma trilha sonora que varia entre o frenético e o calmo, o diretor David Fincher consegue dar total atmosfera e fidelidade ao clima da obra de Stieg Larsson. O maior achado do filme é caracterização de Lisbeth Salander feita por Rooney Mara, em um visual mais extravagante, mas por traz revela-se uma mulher vulnerável e de gênio forte. Mesmo não tendo uma atuação espetacular, Daniel Craig revela-se competente na caracterização do repórter abatido pelos dilemas pessoais e profissionais.

Os Homens que não Amavam as Mulheres é uma aula de como fazer um filme que respeita a riqueza de sua história. Mas, em se tratando de respeito, as mulheres da história sofrem por estarem vivendo em uma sociedade mais vulnerável ao mau-caratismo, a frieza e crueldade do sexo oposto. È "má e gelada".

Cotação: 8,5

Millennium - Os Homens que não Amavam as Mulheres (The Girl With The Dragon Tattoo, 2011)
Direção: David Fincher
Roteiro: Steven Zaillian, baseado em livro de Stieg Larsson
Elenco: Rooney Mara, Daniel Craig, Christopher Plummer, Stellan Skarsgård, Robin Wright, Steven Berkoff, Joely Richardson.

8 comentários:

Kamila disse...

Bom, não conheço o filme sueco, muito menos a trilogia literária na qual se baseia, mas acho que esta adaptação foi dirigida com um distanciamento emocional muito grande por parte do David Fincher, o que resultou em um longa um tanto anticlimático. Para mim, isso é um reflexo direto da dominância da personalidade da Lisbeth Salander no tom adotado pelo filme. Por falar na personagem, pra mim, o grande ponto positivo de “Os Homens que Não Amavam as Mulheres” foi a atuação de Rooney Mara.

Mayara Bastos disse...

Kamila, a obra por si só é assim mesmo, com distanciamento emocional e frio boa parte do tempo. Acho que o jeito que o Fincher conduziu o filme foi respeitável à obra original. ;)

Flá Costa disse...

Mais um filme que eu não me conformo de ainda não ter assistido. Acho que estou ficando muito afastada do cinema, como pode? rs...

Vi que você está lendo "Precisamos Falar Sobre o Kevin"... olha, foi um dos melhores livros que eu já li. Fascinante!

Beijinhos

Mayara Bastos disse...

Flá, também ando meio afastada do cinema, mas estou voltando aos pouquinhos... rsrsrs. E faça um esforço em assistir a esse filmaço. E "Precisamos Falar..." é um livro fascinante mesmo, estou amando. Beijos! ;)

Wallace Andrioli Guedes disse...

Não gosto do filme sueco, tem cara de suspense do SuperCine da Globo, mas adorei essa adaptação do Fincher. Filme e tenso e envolvente e que tem em Mara o seu maior acerto: a fragilidade alternada por uma violência quase psicopata torna sua Lisbeth absolutamente fascinante.

cleber eldridge disse...

Um dos melhores filmes do ano em um ano fraquissimo, Fincher prima na direção e Rooney Mara mata a pau!

Abertura Lateral disse...

Assisti e realmente adorei! Toda a trama, as atuações (em especial a Rooney Mara)e a forma como tudo é apresentado e desenvolvido é realmente bastante eficiente. Gostei tanto que resolvi ler o livro. Só espero que o David Fincher permaneça na direção das duas próximas partes.

Matheus Pannebecker disse...

Mayara, não sou fã do David Fincher. Portanto, achei "Millennium" frio e racional demais, características constantes da filmografia do diretor. Nem me surpreendi muito por ter considerado tudo superestimado...