terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Um Lugar Qualquer


A expectativa em torno de Um Lugar Qualquer era pela história, por ser nos bastidores de Hollywood, sob o ponto de vista de um ator, ainda mais por Sofia Coppola afirmar que a maior inspiração para a película eram nas viagens que fazia com seu pai, o cineasta Francis Ford. Mas, o que poderia ser uma inesquecível história, acabou se tonando um homenagem arrastada.

O filme acompanha a rotina do ator de filmes de ação Johnny Marco (Stephen Dorff), sua estadia no Hotel Chateau Marmont em Los Angeles, que é regada a festas envolvendo bebidas, strippers e sexo casual, as passagens por coletivas de imprensa, trabalhos pesados com maquiagens e dando voltas com sua Ferrari preta. Ele tem uma filha de 11 anos, Cleo (Elle Fanning, irmãzinha de Dakota), que passa a fazer visitas frequentes até precisar passar uns dias com ele.

A direção de Sofia abusa das longas tomadas, mas em algumas consegue deixar cansativo a experiência, principalmente na primeira cena, que causa até vontade de desistir do filme. Ao contrário de Maria Antonieta, considerado o mais fraco da cineasta, mas tinha elementos na história da monarca que envolvia, além da parte técnica e trilha sonora, em Um Lugar Qualquer é totalmente o contrário.

Mesmo assim, o filme tem boas atuações. Stephen Dorff tem bons momentos, mas acaba sendo atropelado pelos rumos do roteiro e a jovem Elle Fanning, responsável pelos melhores momentos do filme, principalmente nas melhores longas tomadas como da pista de gelo ao som de "Cool", de Gwen Stefani.

Um Lugar Qualquer tentou repetir o que a própria Sofia Coppola fez em seu filme mais celebrado - Encontros e Desencontros - mas ao contrário desse que tinha ao menos qualidades na história, aqui peca por ser uma experiência tediosa e por vezes sonolenta do que uma experiência sobre o próprio Cinema. È um sério candidato para entrar na lista de filmes "underground", ou seja, restrito para certos gêneros.

Cotação: 5,0

Um Lugar Qualquer (Somewhere, 2010)
Direção: Sofia Coppola
Roteiro: Sofia Coppola
Elenco: Stephen Dorff, Elle Fanning, Chris Pontius, Karissa Shannon, Kristina Shannon, Laura Chiatti, Caitlin Keats, Michelle Monaghan.

15 comentários:

Victor Nassar disse...

Um filme extremamente preguiçoso! Coppolinha abusa da nossa paciência com sua homenagem ao tédio. Uma tentativa frustrada e forçada de ser cult. Péssimo! Péssimo! Péssimo!

Mayara Bastos disse...

Victor, concordo e você fez uma boa colocação: é uma homenagem ao tédio. rsrs. ;)

Wallace Andrioli Guedes disse...

O problema está todo nesse tipo de expectativa que as pessoas criam pelos filmes da Sofia, achando que ela fará dramas mais tradicionais. Mas seu cinema tem um ritmo particular, algo que já ficou claro em ENCONTROS E DESENCONTROS e MARIA ANTONIETA, e UM LUGAR QUALQUER segue exatamente esse ritmo. É uma questão de aceitar isso e curtir. Ou então, largar de vez o cinema dela. Porque Sofia Coppola não costuma fazer concessões: seus filmes são dotados mesmo de um ritmo lento, com planos longos e silenciosos, numa tentativa de tornar palpável o tédio e solidão dos personagens retratados. Acho que sempre funciona. Particularmente, amo seus filmes.

Mayara Bastos disse...

Wallace, entendo. Acho-a uma cineasta superestimada, mas os filmes dela tem bons elementos. Ela ainda tem que me agradar, com esse "Somewhere" não rolou, infelizmente. ;)

Rafael W. disse...

Parece ser bem interessante, estou ansioso pra er.

http://cinelupinha.blogspot.com/

Mayara Bastos disse...

Rafael, pode ser que goste mais que eu, mas veja sem expectativas. ;)

Alex Gonçalves disse...

Mayara, esse filme foi, para mim, um banho de água fria. Não acho uma Sofia Coppola uma cineasta extraordinária, mas ela sempre tem algo muito importante para dizer em suas produções, inclusive as mais frustrantes.

Acho que o problema maior aqui nem são os excessos de planos absurdamente longos, mas essa sensação de que, no final das contas, o filme não transmite nada de válido para o espectador. Quem sabe da próxima...

Mayara Bastos disse...

Alex, boa colocação sobre a Sofia ter algo para dizer em suas produções, mas aqui ela conta sobre o nada, acho. ;)

Maria Vilar disse...

A sinopse é interessante, vou dar uma chance ao filme, mesmo com os pontos que está aqui. :))

Rafael Moreira disse...

Olha Mayara, não vou negar que conheço pouco de da Sofia Coppola. Vi apenas o seu bom Encontros e Desencontros. E não vou negar também que tenho a impressão que gostarei desse filme. Sempre fico curioso em ver um filme que divide opiniões. Não me arrependi de ver o ótimo "Brilho de Uma Paixão". Vou esperar chegar aqui, mas se não vier terei de baixar. Elle Fanning parece estar tão fofinha. A maioria dos elogios vão para ela, inclusive o seu. Bjos!

Rafael Moreira disse...

Ah, notei que está lendo Bilionários, o que está achando? (eu achei fantastico, devorei o livro) ;;

cleber eldridge disse...

Até entendo que a grande maioria não va gostar desse filme, mas, ele em si fantástico, toda uma mensagem, é um filme atraente, com cenas tocantes e que mais uma vez demonstram a singeleza única de sua diretora, acompanhar o ´tedio' que deve ser viver à beira de piscinas, cheio de belas garotas, carrões, ambientes de luxo, tudo de uma forma encantadora! Adoro o filme, é um momento de reflexão!

Dewonny disse...

Esperava mais desse, mas ñ chega a ser descartável apesar da lentidão, tem lá uns momentos bons, adorei as gêmeas..hehehehe..mas a melhor figura no filme se chama Elle Fanning. nota 5.5!
Bjs! Diego!

Luis Galvão disse...

As críticas mais divididas da temporada. Estou MUITO curioso para vê, já que adoro Coppola.

Mayara Bastos disse...

Rafael, a Elle vale o filme inteiro, pode ser que goste mais que eu. E estou adorando "Bilionários por Acaso". Beijos! ;)

Cleber, entendo que a intenção do filme é boa em mostrar a vida de um ator, tinha tudo para me conquistar, mas não conseguiu. ;)

Diego, concordo com você! Ele não correspondeu as expectativas. Beijos! ;)

Luis, bem divididas mesmo. ;)